terça-feira, 7 de outubro de 2008

Por um mundo onde caibam muitos mundos: o zapatismo e as não-fronteiras da resistência e da esperança[1]

Alexander Maximilian Hilsenbeck Filho*

Resumo: Este artigo se limita a levantar questões interpretativas que, esperamos, possam lançar certa luz para a compreensão do papel desempenhado atualmente por alguns movimentos sociais na América Latina. Movimentos que, não esquecendo suas particularidades e especificidades, são inteligíveis nos marcos de uma análise centrada na luta de classes. Trataremos sobre o Exército Zapatista de Libertação Nacional, que tem sua natureza no campo e em comunidades indígenas mexicanas. Atentaremos, sobretudo, para as formas de conflitualidades desenvolvidas contra o sistema social vigente.

Introdução

Em 1º de janeiro de 1994, numa conjuntura que apregoava o fim das alternativas à ordem social vigente e em que a história testemunhara o fim da “bipolaridade” no cenário mundial, num escondido rincão do sudeste mexicano, na exata data em que entrava em vigor o Tratado de Livre Comércio da América do Norte, um punhado de indígenas mal-armados desferem um grito de Já Basta! Contra mais de 500 anos de exploração e opressão, contra certas condições de miséria pré-moderna em que ainda vivem e contra a modernização neoliberal da miséria que “os de cima” buscam lhes impor no presente[2].

O Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), em 14 anos de insurreição pública e 24 de formação, em decorrência das transformações teóricas e práticas pelas quais passou, inovou e questionou diversos cânones das teorias e experiências dos movimentos de esquerda do último século, desvelando novas (velhas) formas de organização e de se fazer política. O zapatismo, pelas suas características organizativas, suas formas de luta e de fazer política, suas inscrições identitárias, suas conceitualizações da ação coletiva, suas formas de linguagem, seus questionamentos em relação ao poder, à política, ao Estado e à democracia, coloca particularidades que o distinguem de outros movimentos precedentes e, sem dúvida, impulsiona a revitalização do pensamento crítico. Com uma capacidade questionadora e de autocrítica poucas vezes vista em movimentos desse tipo, o EZLN se apresenta como antípoda das tradicionais guerrilhas que a América Latina conheceu, sendo um dos despertares mais visíveis de um novo ciclo de protesto social que tomou corpo no decorrer da segunda metade dos anos 1990 na América Latina, de cunho antineoliberal e anticapitalista.
Um mundo com indígenas

Artigo completo:
http://www.espacoacademico.com.br/089/89hilsenbeck.htm

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