segunda-feira, 11 de junho de 2007

Subcomandante Marcos lança livro pornográfico

Terra Magazine - Mundo
Wálter Fanganiello Maierovitch
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O Homem sem Rosto, conhecido internacionalmente como subcomandante Marcos, volta a surpreender, em especial aos seus seguidores, que o chamam de "El Sup".
A surpresa não significa que irá tirar sua máscara e nem que revelerá sua identidade oficial. O fundador do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) - organização nascida em 1º de janeiro de 1994 e sediada no estado mexicano de Chiapas (o mais pobre dos estados, mas o mais rico em reservas naturais) -, tem um novo projeto.

Como Marcos pretende conseguir fundos para sua luta, o subcomandante resolveu lançar um livro. Para mas uma surpresa geral, não se trata de uma obra sobre etnias, defesa do meio ambiente, justiça social e paridade de direitos. Nem de ataques ao neoliberalismo e busca de uma economia mais equânime.

O livro de Marcos versa sobre sexo. Segundo o próprio, "é pornografia pura". A obra será lançada no México e na Europa no próximo mês de junho (de 2007). Para as autoridades governamentais do México, o subcomandante Marcos é apenas Rafael Sebastián Guillén Vicente, filho de imigrantes espanhóis, formado em filosofia e ex-pesquisador da Universidade Cidade do México.

Marcos escreveu o livro no Chiapas. Ou seja, no estado que fez de quartel general da sua luta. O estado do Chiapas, de 76 mil quilômetros quadrados, e que faz fronteira com a Guatemala, continua pobre, com índios e camponeses atacados pelos paramilitares e graves violações dos direitos humanos. Apesar disso, reina nele o espírito da resistência de Emiliano Zapata, que, no início do século XX, abraçou a causa dos camponeses explorados e formou um exército de índios.

Em entrevista coletiva, Marcos frisou:

- Desta vez, não há referência à política. Apenas sexo, ou seja, pornografia. Só está faltando o desenho da capa e o registro de ser proibido a menores de 18 anos.

Marcos já foi marxista-leninista ortodoxo. Depois converteu-se num dos líderes do movimento antiglobalização.

De olho em 2010 - quando ocorrerá o 200º aniversário da Guerra de Independência e os 100 anos da República mexicana -, Marcos arrisca previsões sombrias. Ele acha que o México, em 2010, será uma panela-de-pressão, prestes a explodir. E o motivo decorrerá da política norte-americana de edificar muros e alambrados na fronteira, conforme decidiu o Congresso dos EUA em 2006:

- Milhões de pessoas estarão privadas de obter empregos e, por aqui, os pobres já estão próximos da saturação.

Sem armas, os zapatistas retomaram, dia 9 de janeiro de 2006, a marcha iniciada na cidade de San Cristóbal, localizada no estado de Chiapas, que é o reduto mexicano símbolo da revolta indígena de 1º de janeiro de 1994. Um movimento que culminou, em 11 de março de 2001, com a pacífica marcha até a Cidade do México, de grande repercussão internacional.

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